Uma pequena versão do inferno existe em Ohio, nos Estados Unidos

Uma pequena versão do inferno existe em Ohio, nos Estados Unidos

15 Janeiro, 2017 Não Por Já Se Sabe

Cientistas criaram o que pode ser chamado de uma versão em pequena escala do inferno dentro de uma sala de concreto, em Ohio, Cleveland-EUA. O ambiente, totalmente sem janelas, é chamado de “Glenn Extreme Environments Rig” (GEER), e trata-se de uma câmara de aço de 14 toneladas que tem como objectivo recriar fielmente as condições tóxicas, sufocantes e escaldantes da superfície de Vénus – um planeta que há muito tempo pode ter sido habitável para os nosso padrões.
Cientistas do Centro de Pesquisa Glenn, na NASA, onde está localizado o GEER, desenvolveram o projeto durante os últimos cinco anos, e ele foi colocado em prática pela primeira vez em 2014. Desde então, os pesquisadores expandiram seus testes e expuseram todos os tipos de metais, cerâmica, fios, malha, revestimentos e aparelhos electrónicos às condições, para ver aquilo que resiste e o que é dissolvido.
O objetivo? Aprender a construir espaço naves que consigam durar meses ou até mesmo anos em Vénus, em vez de serem destruídas quase instantaneamente. “Uma das últimas sondas que visitaram Vénus foi a Venera 13, em 1982, e ela sobreviveu apenas por 2 horas e 7 minutos”, disse Gustavo Costa, químico e cientista de materiais envolvido com o trabalho do GEER.
Até que uma espaço nave moderna penetre a atmosfera do planeta e explore sua superfície, o GEER é a melhor maneira de entender como as coisas devem funcionar por lá. “É como o inferno na Terra“, disse Costa.
Vénus tem suas semelhanças com a Terra, e já teve muito mais. Trata-se de um planeta rochoso e possui 82% da massa e 90% da gravidade da Terra. O planeta também tem uma atmosfera persistente e orbita na zona habitável do sol – onde a água pode existir em forma líquida. Alguns pesquisadores acreditam que antigamente o planeta foi possuía oceanos quentes e rasos, que podiam ser abrigar vida por cerca de 2 biliões de anos. Mas quando a água desapareceu, o dióxido de carbono começou a obstruir a atmosfera, e – devido ao aquecimento global descontrolado -, O planeta acabou “cozinhando”.
NASA
Em suma, Vénus hoje em dia pode ser considerado o lugar mais inóspito do sistema solar, e simultaneamente um modelo interessante para ser analisado no sentido de entender nosso próprio planeta. E sabemos disso graças às missões de sucesso que já foram feitas no planeta, a maioria lideradas pela União Soviética. Os dados transmitidos por essas naves mostram que o ar da superfície venusiana é quase 97% de dióxido de carbono, cerca de 100 vezes mais espesso do que a atmosfera terrestre, e possui temperatura de cerca de 864ºC. Isso é o dobro da temperatura necessária para queimar a madeira e quente o suficiente para derreter chumbo.
Arame de metal antes e depois de entrar na câmara. / GEER/NASA Glenn Research Center; Business Insider
Mas como é, de fato, estar na superfície, e o que acontece aos materiais e às naves espaciais que ousam descer lá, ainda não é bem claro.
O GEER reúne tudo o que os pesquisadores sabem sobre as condições da superfície de Vênus em uma câmara capaz de suportar 800 litros. Uma máquina combina os gases conhecidos de Vênus e um poderoso aquecedor aumenta a temperatura. “Demora dois dias e meio para aquecer e cinco dias para esfriar”, disse Leah Nakley, engenheira líder da GEER, em entrevista ao Business Insider.
A câmara GEER aberta / GEER/NASA Glenn Research Center
Costa diz que uma das coisas que ele percebeu trabalhando com a GEER é que a atmosfera de Vénus realmente é muito estranha. “É uma mistura de fluídos super críticos, não apenas gás”, disse. Fluídos super críticos comportam-se como um gás e um líquido ao mesmo tempo. Se você bebe café descafeinado, por exemplo, você se beneficia desses fluídos. O dióxido de carbono em estado super crítico normalmente penetra nos grãos de café e retira a maior parte da cafeína presente por lá.
Costa diz que se alguém tentasse caminhar na superfície de Vénus, teria que atravessar um ar extremamente grosso, como uma piscina de água, a uma pressão equivalente à que sentimentos a 100 metros abaixo d’água. Uma pequena brisa de alguns quilómetros por hora seria sentida como uma onda. Mas a atmosfera de Vénus também possui vestígios de fluoreto de hidrogénio, cloreto de hidrogénio, sulfato de hidrogénio e ácido sulfúrico, que são produtos químicos extremamente perigosos.
O Japão é actualmente a única nação com uma espaço nave rondando Vénus, a Akatsuki, que orbita o planeta, sem condições de descer.
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